Médica explica os riscos da alergia a medicamentos - voxnoar
Whatsapp (75) 8370-6060 / Fone (75) 3424-2048

Médica explica os riscos da alergia a medicamentos

Portadores do HIV e alérgicos a latex são mais propícios a terem crises às substâncias








Quando se fala em alergia, a primeira imagem que vem à cabeça são os espirros provenientes da rinite. Costumamos lembrar ainda das urticárias causadas por comida e picadas de insetos — o que resolvemos rapidamente com pomadas ou comprimidos antialérgicos. Ao que pouco se atenta, porém, é que medicamentos também podem resultar em crises alérgicas com graves consequências. 

— A alergia acontece de uma a seis horas depois da ingestão do medicamento e podem causar o inchaço das pálpebras e da boca, brotoejas na pele, vômitos, queda de pressão e falta de ar a partir do fechamento da garganta. Classificamos esses sintomas como um quadro anáfilático, que acontece quando dois órgãos reagem a um agente estranho — explica a médica coordenadora do Ambulatório de Reações Adversas a Medicamentos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Maria Inês Perelló. 

Segundo a especialista, a população como um todo está sujeita a desenvolver alergias a diferentes medicamentos. No entanto, o risco é maior para portadores do HIV, alérgicos a latéx e a outros remédios. Dentre os medicamentos que mais causam alergia, ela lista:  

— As mais comuns são alergias a anti-inflamatórios e antibióticos. Sobre o último, elas se tornaram menos frequentes após passarem a exigir receita médica na hora da compra. Quanto aos anti-inflamatórios, as alergias podem ser a apenas um medicamento, como a dipirona, ou ao grupo deles.
Por isso Maria Inês alerta para o risco da automedicação. Com manifestações espontâneas, ou seja, em um momento não há reação ao fator e no outro sim, a melhor prevenção da alergia medicamentosa é evitar o uso de remédios sem orientação profissional. E caso um quadro alérgico se inicie, deve-se procurar um pronto socorro com urgência uma vez que, dependendo de sua gravidade, antialérgicos não fazem efeito. 

— Depois que a crise é controlada deve-se procurar um alergista para constatar de fato a alergia e também identificar se ela se estende ou não para outras substâncias similares — aconselha. 

Analisar o histórico do paciente é a principal linha de investigação dos especialistas para prevenir e identificar reações alérgicas. Três exames são realizados para confirmar se alguém sofre ou não desse mal: um teste de laboratório para reações imediatas, a exposição com um leve cutucar no braço e, por fim, a provocação oral. Este último é necessário somente quando os dois primeiros não dão resultados precisos. 

Existem ainda alergias que se manifestam meses após a ingestão dos remédios e podem causar a morte, como é o caso da síndrome de Stevens-Johson. Contudo, um parcela mínima de indivíduos tem essas complicações. Na Europa, pesquisadores identificam o risco dessas doenças através de marcadores na população. Colocar o método em prática no Brasil, entretanto, é mais difícil por conta da miscigenação. Mas Maria Inês garante que as pesquisas no hospital universitário Pedro Hernesto, em Vila Isabel, estão avançadas.


Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial